Nariz escorrendo, garganta arranhando, corpo moído, tosse que não passa. Nas últimas semanas, quase todo mundo conhece alguém nessa situação, e não é impressão: os vírus respiratórios seguem circulando intensamente no Brasil. Junto com eles, circulam também muitas dúvidas. Isso é gripe ou resfriado? Precisa de antibiótico? Todo mundo deve tomar Tamiflu? Neste texto, explicamos de forma simples o que a ciência sabe sobre essas infecções e o que os dados mais recentes mostram.

O que está circulando agora no Brasil

A Fiocruz acompanha semanalmente os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), ou seja, as infecções respiratórias graves o suficiente para levar à internação, por meio do InfoGripe. Segundo o boletim divulgado em 8 de outubro de 2026, referente à semana epidemiológica 39:

Em outras palavras: a temporada mais intensa de gripe já passou em boa parte do país, mas outros vírus respiratórios continuam ativos, e é por isso que tanta gente segue adoecendo.

Gripe é a mesma coisa que influenza?

Sim. “Gripe” é o nome popular da infecção causada pelo vírus influenza. No dia a dia, porém, as pessoas costumam chamar de “gripe” qualquer quadro de nariz entupido e tosse, o que gera confusão. Do ponto de vista médico, gripe é apenas a doença causada pelo influenza. Os demais quadros virais leves das vias aéreas costumam ser chamados de resfriado ou síndrome gripal.

Os tipos e subtipos do influenza

O vírus influenza que causa doença em humanos é dividido principalmente em dois tipos:

O influenza muda um pouco a cada ano (os cientistas chamam isso de “deriva antigênica”, que são pequenas alterações nas proteínas da superfície do vírus). É por isso que a vacina da gripe precisa ser tomada todos os anos: ela é atualizada para acompanhar as versões do vírus que estão circulando.

Mito ou verdade: as dúvidas mais comuns

“Gripe e resfriado são a mesma coisa”

Mito. Os dois são infecções virais, mas têm causas e intensidades diferentes:

Na prática, os sintomas se sobrepõem bastante, e só um exame laboratorial (como o teste de swab nasal) confirma qual vírus está envolvido.

“Gripe forte precisa de antibiótico”

Mito. Antibióticos combatem bactérias e não têm nenhum efeito sobre vírus. Usá-los numa gripe ou num resfriado não acelera a recuperação, pode causar efeitos colaterais (como diarreia e alergias) e contribui para a resistência bacteriana, um problema sério de saúde pública em que as bactérias deixam de responder aos remédios.

O antibiótico só entra em cena quando o médico identifica uma infecção bacteriana associada, como uma pneumonia bacteriana ou uma sinusite bacteriana que surge depois do quadro viral. Um sinal de alerta para isso é quando a pessoa começa a melhorar e, depois de alguns dias, volta a ter febre ou piora da tosse e da falta de ar. Essa avaliação deve ser feita por um profissional, nunca por conta própria.

“Todo mundo com gripe deve tomar Tamiflu”

Mito. O Tamiflu (nome comercial do oseltamivir) é um antiviral específico contra o influenza. Ele não age contra rinovírus, VSR, Covid-19 ou outros vírus. Segundo os protocolos do Ministério da Saúde, ele é indicado principalmente para:

Nesses grupos, o ideal é começar o mais cedo possível, de preferência nas primeiras 48 horas de sintomas. Para um adulto jovem, saudável e com quadro leve, o uso não é rotineiro e fica a critério da avaliação médica: o benefício costuma ser pequeno (encurta os sintomas em cerca de um dia) e o remédio pode causar náuseas e vômitos.

“A vacina da gripe dá gripe”

Mito. A vacina disponível no Brasil é feita com vírus inativado ou com partes dele, incapazes de causar a doença. Algumas pessoas sentem dor no braço ou mal-estar leve por um ou dois dias, o que é uma reação esperada do sistema de defesa. Se a pessoa ficar resfriada logo depois da vacina, provavelmente pegou outro vírus, como o rinovírus, contra o qual a vacina da gripe não protege.

Outros vírus importantes em adultos

Rinovírus

É o principal causador do resfriado comum e, como mostram os dados da Fiocruz, o vírus mais encontrado atualmente nos casos de SRAG no país. Em adultos saudáveis, costuma ser leve. Mas, em quem tem asma ou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica, comum em fumantes e ex-fumantes), o rinovírus é um dos principais gatilhos de crises, com chiado no peito e falta de ar. Não existe vacina nem antiviral específico.

Vírus sincicial respiratório (VSR)

Muito conhecido por causar bronquiolite em bebês, o VSR também é importante em adultos, especialmente em idosos e pessoas com doenças do coração ou do pulmão, nos quais pode causar pneumonia e internação. Hoje já existem vacinas contra o VSR para adultos a partir de 60 anos (disponíveis na rede privada) e para gestantes, que protegem o bebê nos primeiros meses de vida e estão disponíveis no SUS.

Metapneumovírus

Parecido com o VSR, causa desde resfriados até pneumonias. Está em alta neste momento em alguns estados, principalmente entre crianças, e também pode descompensar idosos e pacientes com doenças pulmonares.

Sars-CoV-2 (Covid-19)

Continua circulando e, segundo o InfoGripe, voltou a mostrar sinal de aumento, ainda em nível baixo. A vacinação atualizada continua recomendada, especialmente para idosos e grupos prioritários.

Quando procurar atendimento

A maioria das infecções respiratórias virais melhora sozinha em uma a duas semanas, com repouso, hidratação e alívio dos sintomas. Procure avaliação médica, porém, se houver:

Pessoas dos grupos de risco devem procurar atendimento logo no início dos sintomas, porque o tratamento precoce faz diferença.

Como se proteger

Agende sua avaliação

Se você está com sintomas respiratórios que não melhoram, tem asma, DPOC ou outra doença pulmonar e teve uma piora, ou quer orientação sobre vacinas respiratórias, o Dr. André Lassance é pneumologista em Copacabana, Rio de Janeiro, e pode fazer uma avaliação completa do seu caso.

Agende sua consulta pelo WhatsApp.

Fonte dos dados epidemiológicos: Boletim InfoGripe/Fiocruz, semana epidemiológica 39 de 2026 (divulgado em 8 de outubro de 2026).

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